Chegamos no Camboja depois de cinco longos voos: Fortaleza – São Paulo – Frankfurt – Doha – Singapura – Siem Reap. Foram dois dias de viagem até Siem Reap, mas, super bem recompensados quando lá chegamos. Não me lembro de outro lugar ter me provocado tantas emoções e sensações diferentes como o Camboja. Fomos impactados pela história, pelo povo, cultura e pelo sofrimento daquela gente. Também não me recordo de já ter sido tão bem servida, chega a ser constrangedor a forma como somos tratados. É algo que parece ultrapassar a barreira da gentileza: eles nos servem como se fôssemos “amos”, e eles o fazem com a maior alegria e felicidade do mundo.

O povo cambojano é de uma simplicidade e tranquilidade sem tamanho. O sorriso no rosto daquela gente é algo que, com certeza, marcará toda e qualquer viagem de toda e qualquer pessoa que colocar os pés naquele país, principalmente, levando em consideração a tragédia por qual passou, recentemente, aquele povo.

Embora já tivesse tido contato com a história e cultura cambojana, através de pesquisas na internet, livros e documentários, nada como a experiência na vida real, não é? E quão surpreendente ela foi! Siem Reap que, ao contrário do que muitos pensam, não é a capital do país, tem templos magníficos, mas uma história recente bem triste.

Ainda que não houvéssemos sido “brifados” e ainda que não tivéssemos pesquisado sobre a história do Camboja, poderíamos intuir quão triste ela teria sido – como foi! – apenas pelo que os olhares que cruzaram com os nossos conseguiam comunicar, silenciosamente. O país esteve sob o domínio de uma sangrenta ditadura comunista, o Khmer Rouge (Khmer Vermelho, em que Khmer faz referência há uma antiga civilização que ocupou o mesmo território da, então, Indochina, e o vermelho à cor símbolo do comunismo); esteve ainda sob o domínio “semicolonial” do vizinho Vietnã, a tutelar os seus destinos após ter derrubado o regime comunista que ali se instalara. Até meados dos anos 90, quando finalmente recupera a sua soberania, viveu uma sangrenta guerra civil que dizimou quase um terço de sua população. Estima-se que mais de dois milhões de pessoas foram mortas nos campos de extermínio, o que, proporcionalmente, ao número de habitantes do país, pode ser considerada a maior matança de uma civilização em guerras na história.

Hoje, o país é considerado um dos mais pobres da Ásia. Pra ser ter uma pequena ideia, os cambojanos têm de ir ao mercado comprar frutas e verduras todos os dias pela manhã, pois em casa, grande parte deles, não tem energia, nem freezer e geladeira. A energia, por lá, é a base de gerador e, ainda assim, falta luz a todo instante.

Para não me estender muito e tornar a leitura cansativa, continuarei a tratar do Camboja, com a maior atração turística de Siem Reap – os templos, na próxima postagem. Voltem aqui pra conferir! 😉

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