Vinhajando

Vinhajando

@ Por Alcimor, Cultura, Filosofia, Vinhos

Em um outro texto tratei da viagem no tempo que se oculta por detrás de toda viagem no espaço. Pois nesse texto tratarei da viagem no espaço oculta por detrás de cada gole de vinho. Sendo menos reducionista, talvez: viagem pressuposta à experiência decorrente da ritualística do tomar vinho. No rótulo um apertado resumo do roteiro da viagem; na rolha indícios da qualidade da experiência sensorial e cultural que nos aguarda; na cor o contato visual com a paisagem na qual seremos desafiados pelas idiossincrasias do lugar-terroir; no aroma o potencial de acesso imediato às técnicas utilizadas na produção, ao tipo de solo daquele destino de nossa viagem, à história daquele povo que fez e faz o vinho assim ou assado por conta disso ou daquilo e à peculiaridade daquele, ainda mais específico, lugar-terroir (a propriedade e o produtor); no sabor o ápice da experiência, com a confirmação, positiva ou negativa, das projeções que se iniciavam mais genericamente no roteiro constante do rótulo e que se afunilavam até o aroma. Bem, viajar sozinho é reduzir à uma fração mínima o potencial da experiência e, como viagem que é, viajar no vinho é sempre melhor quando se a realiza em grupo, compartilhando os momentos com uma ou mais pessoas. Boa Vinhagem!

 

In vino veritas

In vino veritas

@ Por Alcimor, Cultura, Vinhos

O vinho não é chave para acessar apenas a porta dos prazeres. Para além do aspecto hedonista (jamais diria “meramente” hedonista, pois isso não é, em si, pouco!), para além deste seu aspecto hedonista, o vinho funciona como chave para as portas da cultura e da história. E há mais: é desafio para os sentidos – que podem ser contemplados pelo já mencionado hedonismo – oferecendo grandes oportunidades para que procedamos à um esforço intelectual de decifre de suas características organolépticas, vinculando-as com as técnicas utilizadas em sua produção e com as circunstâncias históricas e geográficas de onde provém. Por tudo isso é que imagino encaixar-se, o tema “vinho”, perfeitamente, no contexto dos compartilhamentos de experiências a que procederemos neste espaço. In vino veritas.

paty

Viajar no tempo

Viajar no tempo

@ Por Alcimor, Cultura, Filosofia, Viagens

Digo sempre, em conversa com amigos, normalmente entre um gole e outro de vinho, que viajar no espaço é também viajar no tempo. Não entendo esta viagem no tempo, obviamente, como uma viagem de volta no calendário (que é apenas uma forma de organização do tempo, e não o tempo, em si). Viajar no tempo é experienciar um outro ritmo de vida, uma outra cadência na lógica do conviver; é ter contato direto e concreto com uma velocidade distinta a pairar sobre a atmosfera daquele determinado lugar e que exerce influência sobre atitudes e decisões de quem ali se encontra.

Não lembro de ter tido experiência tão marcante, a confirmar esta minha tese, como quando estivemos em Siem Reap, Camboja, há algumas semanas. É claro que construí esta ideia a partir de “viagens no tempo” anteriores que já desvelavam esta realidade à sensibilidade de meu espírito. Mas aquela sensação de confirmação do que houvera sido intuído, tive, mesmo, no Camboja. Vou me debruçar melhor sobre como se deu essa “confirmação” no meu próximo texto.

paty

Planejando uma viagem

Planejando uma viagem

@ Por Patrícia, Cultura, Viagens

Planejar: “Ato ou efeito de prever, antecipar, ou vislumbrar algo que ainda não aconteceu; preparar; projetar.”

Para mim, a viagem começa por aqui. É bem verdade que, em alguns casos, não há tempo para o planejamento, são aquelas “pei e bufo”, decididas de última hora. Acontece que, na esmagadora maioria das vezes, eu  e o Alcimor gostamos – e muito – de planejar e de nos planejar.

Aqui entra a questão do que conhecer, a quantidade de dias, o quanto se pretende gastar, quais as melhores opções de vôos, o hotel com o melhor custo/benefício, os restaurantes que nos proporcionarão “a” experiência e por que não os looks (pra mim, uma das melhores partes)?

“Perdemos” (ou investimos?) horas e horas pesquisando os detalhe e as histórias de cada lugar. Traçamos rotas e caminhos na tentativa de conhecer mais um cantinho possível desse mundão. Mas nada que comprometa um lugar ou outro, afinal, mais do que conhecer os pontos turísticos de cada cidade, gostamos de nos perder por ela, “like a local”.

Entretanto, as experiências proporcionadas por uma viagem são quase sempre mais fantásticas do que aquelas projetadas por nós. Digo isso não só no sentido visual, mas, principalmente, nas sensações que ela é capaz de despertar. E, pra mim, aqui reside o maior encanto de toda e qualquer viagem: as sensações. Jamais alguém voltará a mesma pessoa que era antes de uma viagem; sempre voltamos diferente do que fomos. E como isso é maravilhoso! Reciclar. Reciclar conhecimento, pensamentos e “achismos”. Conhecemos não só novos lugares, pessoas e culturas – o que, por si só, já seria maravilhoso – mas conhecemos algo dentro de nós que ainda não conhecíamos, ou, pelo menos, não havíamos desenvolvido.

 al

Duplamente

Duplamente

@ Por Alcimor, @ Por Patrícia, Cultura, Viagens

A ideia de montar um blog surgiu na nossa última viagem, em que tivemos a oportunidade de conhecer cinco países no continente asiático, o que nos proporcionou experiências pra lá de impactantes. Conversávamos e conversávamos sobre as maravilhas daquele contato com uma nova cultura, sobre as descobertas, experiências e sensibilidades afloradas a partir daquele aproximar-se diante do novo. Não seria demasiado egoísmo guardar conosco, e só conosco, estas experiências? Foi a partir do ressoar dessa pergunta em nossa cabeça que decidimos chegar até aqui. E por que não dividir com as pessoas experiências e sensações? Por que não compartilhar o mundo através do nosso olhar, das nossas perspectivas? O mundo pelo olhar do Alcimor é um; através do olhar da Patrícia é outro. Às vezes, esses olhares se coincidem. Mas na verdade, na verdade, cada um carrega consigo sua história absolutamente peculiar e irrepetível que conduz à adoção dos seus paradigmas, o que faz com que pessoas diferentes enxerguem as mesmas coisas de forma diversa. E é isso que a gente quer mostrar aqui!

Tratar apenas de viagens seria correr o risco de sermos reducionistas; até porque não faltam opções de blogs de viagem. Nosso propósito, porém, é diverso. É tratar de tudo isso a partir das viagens, mas não se restringindo à elas. Imaginamos, então, que tratar de tudo que se experiencia em uma viagem fosse uma forma mais autêntica de expressarmos e atingirmos sensibilidades.

Daí porque tratar de cultura, história, gastronomia, vinhos, política e filosofia. São formas de contato com o outro que vão muito além dos meros guias de viagem com dicas banais – e outras nem tanto – e que têm o seu papel e sua função. Espero que gostem!

 Sem Título-1

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