Aniversariei esta semana e me pus a pensar, com minha sensibilidade ainda mais aflorada, sobre o tempo. Sobre o meu tempo, mais especificamente. Por razões óbvias se deu esse maior afloramento: estava completando três décadas de vida. Haveria muito a se falar sobre o tempo, é claro, e não conseguiria dizer que aspectos me fascinam mais dentro desse tema. Tenho enfrentado alguns deles em minha tese de doutorado, estudando as relações entre a filosofia do tempo e a filosofia do direito. Poderia tratar do tempo sob a perspectiva de suas diversas facetas filosóficas, para os gregos: o tempo como Kairós, Kronos e Aión, por exemplo, mas quero pessoalizar mais a exploração do tema “tempo” aqui.

Cronologicamente (Kronos) foram-se 30 primaveras – numa visão norte-hemisferista, diria 30 verões, numa visão sul-hemisferista. A idade, assim como a entendemos, é, pois, apenas uma reducionista forma de “medir” o nosso tempo. Mas nosso tempo vai muito além do passar das horas, dias e anos. Nosso tempo é irredutível à uma medida numérica e exata. Nosso tempo compõe-se de nossos acúmulos de experiências e disso decorre que todos temos tempos diversos e estamos em tempos diversos – por mais que nossos tempos cronológicos se assemelhem nos diferenciaremos, sempre, por aquilo que compõe a nossa temporalidade própria. É por isso que nem sempre nos entendemos bem, interpretamos fatos diferentemente etc.. A tomada de consciência dessa muito própria temporalidade de que cada um é dotado é fundamental para que adotemos uma postura de maior tolerância perante o outro; dessa tolerância pode se desdobrar uma ambiência social que nos conceda orgulho e alegria de a ela pertencer.

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