Em um outro texto tratei da viagem no tempo que se oculta por detrás de toda viagem no espaço. Pois nesse texto tratarei da viagem no espaço oculta por detrás de cada gole de vinho. Sendo menos reducionista, talvez: viagem pressuposta à experiência decorrente da ritualística do tomar vinho. No rótulo um apertado resumo do roteiro da viagem; na rolha indícios da qualidade da experiência sensorial e cultural que nos aguarda; na cor o contato visual com a paisagem na qual seremos desafiados pelas idiossincrasias do lugar-terroir; no aroma o potencial de acesso imediato às técnicas utilizadas na produção, ao tipo de solo daquele destino de nossa viagem, à história daquele povo que fez e faz o vinho assim ou assado por conta disso ou daquilo e à peculiaridade daquele, ainda mais específico, lugar-terroir (a propriedade e o produtor); no sabor o ápice da experiência, com a confirmação, positiva ou negativa, das projeções que se iniciavam mais genericamente no roteiro constante do rótulo e que se afunilavam até o aroma. Bem, viajar sozinho é reduzir à uma fração mínima o potencial da experiência e, como viagem que é, viajar no vinho é sempre melhor quando se a realiza em grupo, compartilhando os momentos com uma ou mais pessoas. Boa Vinhagem!

 

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